"O Homem teve, a dada altura, “a força religiosa, moral e poética, de conceber o modelo de Cristo, do amor universal, do perdão aos inimigos, da vida oferecida em holocausto pela salvação dos outros"
José I. González Faus tenha razão: “O que se celebra hoje no Ocidente a cada 25 de Dezembro é o nascimento do messias Consumo, filho único do deus Dinheiro"
"Seria uma perda incomensurável ignorar ou esquecer que o Natal está vinculado ao nascimento de Jesus. Ele representa na História a maior revolução, como reconheceram grandes pensadores como Hegel, Ernst Bloch, Jürgen Habermas..."
"Embora se não excluam traços maternos em Deus, a Bíblia chama a Deus Pai e não Mãe"
"É claro que Deus não é sexuado; portanto, chamar-lhe Pai é uma metáfora. Assim, tanto poderíamos dirigir-nos a ele como a ela, isto é, tanto poderemos chamar-lhe Pai como Mãe"
"Constitui, pois, uma amarga desilusão que o Sínodo que terminou em Outubro com a aprovação do Papa mantenha as portas fechadas à possibilidade da ordenação das mulheres"
Foi pelo pecado de Adão que veio todo o mal ao mundo, incluindo a morte. Esse pecado tornou a humanidade toda "massa condenada" ao inferno, do qual só alguns são libertados pela graça imerecida de Deus
É claro que, como já aqui expliquei, não há pecado original como o entendeu Santo Agostinho. Jesus não falou no pecado original, e que mãe acredita que o seu bebé acabado de nascer foi gerado em pecado?
No fundo, o que se celebra é a “santa esperança”, como dizia Péguy, a esperança de que a paz, a justiça, a fraternidade, a salvação, a vida eterna, um dia irrompam no mundo para todos
"É preciso ver o invisível e vê-lo precisamente no visível. É necessário voltar à terra e ver aí e daí os sinais que Deus nos faz"
"Mas não basta aprender a ver. É necessário igualmente saber ouvir … É ouvindo-nos mutuamente que tomamos consciência da nossa igualdade radical enquanto seres humanos"
"Onde é que estaria a democracia, se os governantes não escutassem os outros cidadãos? … Se tivéssemos tempo para nos sentarmos e meditar e escutar o silêncio e a voz da consciência, teríamos evitado tantos erros e disparates e tragédias!"
"E se um dia nos dispuséssemos também a ouvir o Divino, que permanentemente se nos dirige?"
"Apesar de a morte hoje se ter tornado tabu, muitos nestes dias passaram pelos cemitérios. E a pergunta é: Que foram lá fazer?"
"Quando alguém está concentrado num cemitério perante a campa de um familiar, de um amigo, está a olhar para onde?, e o que é que vê realmente?"
"A morte é o mistério pura e simplesmente... Ninguém sabe o que é estar morto"
"Afinal, para onde foram os mortos? Não será que, como acontece nas guerras, andam perdidos, mas um dia havemos de encontrá-los e encontrar-nos? Para onde vão os mortos? Para o nada?"
"O que é que aconteceu para que o bebé, que começa por parecer um "embrulhinho" (perdoe-se a expressão terna), inicie um processo de dizer-se, que vai do neutro - o menino, a menina, o Kico, a Rita... - até ao soberano eu, donde tudo parece partir para tudo dominar?"
"Precisamente aí - no eu irredutível - posso encontrar-me com o mistério do Deus criador"
O que diz alguém, quando diz 'eu'? Afirma-se a si mesmo como sujeito, autor das suas acções conscientes, centro pessoal responsável por elas, alguém referido a si mesmo, na abertura e em contraposição a tudo
Há filósofos que se referem à ilusão do eu… Está a ver a consciência? O que é ela senão um fluxo permanente de pensamentos fugazes, de vivências?
Neste domínio, nestes tempos de debates fundamentais à volta da Inteligência Artificial, a questão decisiva é se algum dia teremos uma explicação científica da consciência
"No ser humano, há a pulsão e o lógico, o afecto e o pensamento, a emoção e o cálculo, o impulso e a razão"
"Por outro lado, porque o ser humano não é redutível à lógica computacional, é capaz de criações artísticas divinas, do amor gratuito, do luxo generoso, da música"
"A bondade sem a inteligência não abre caminhos novos e pode até causar imensos estragos; a inteligência sem a bondade pode tornar-se cruel e fazer um sem-número de vítimas. Como está à vista"
"Se a vida espiritual se identificasse com processos físicos e químicos, então seriam eles a decidir as minhas acções, de tal modo que se deveria concluir que não sou responsável pelo que faço"
"Característica constitutiva do ser humano no processo de realizar-se é a esperança"
"É claro que, na concepção do Homem segundo Laín, torna-se mais enigmática a imortalidade pessoal, pois a estrutura pessoal humana não pode sobreviver naturalmente à desagregação das subestruturas nela incorporadas"
A antropologia, o estudo do Homem, é uma tarefa sem fim. De facto, o ser humano não pode definir-se de uma vez por todas
"Nem sequer há definição possível, pois ele é uma abertura ilimitada: por mais que diga de si nunca se diz plena e adequadamente"
"A pergunta pelo Homem convoca todas as disciplinas…"
"O meu ilustre amigo, Juan Masiá, professor na Universidade Sophia, em Tóquio, apresentou a questão numa bela síntese. Pode-se tentar uma Antropologia Filosófica partindo de algumas afirmações de base. Assim"
"De qualquer modo, a humanidade sempre teve consciência de si, sabendo que mergulhava em abismos, onde mora o recôndito, o tenebroso e o incontrolável"
Como se não cansava de repetir o filósofo Julián Marías, "o filho que diz eu é irredutível ao seu pai, à sua mãe, a Deus e a toda a realidade, seja ela qual for."
No meio de todas as humilhações, ao ser humano reflexivo impor-se-á sempre a subjectividade própria, pois a ciência objectiva só existe para e a partir do sujeito
Um rosto é um milagre. Há hoje no mundo oito mil milhões. Nenhum igual a outro: cada rosto é único. Um rosto é a visita do infinito e a sua manifestação viva no finito. Que é um rosto senão alguém que se mostra na sua aparição?
"A liberdade não é desvinculável da experiência subjectiva, da “perspectiva interna”. Essa experiência é uma experiência transcendental, no sentido de que se afirma até na sua negação"
"Ser livre é propor-se ideais, deliberar e agir segundo razões e argumentos, impondo limites aos impulsos, inclinações e desejos, o que mostra que o Homem pode ser senhor dos seus actos"
É urgente ir ao encontro do Homem, não do Homem abstracto, mas de um ser humano concreto, do “mistério daquele ser concreto com as feridas, os desejos, as recordações e as esperanças da sua vida”
E Francisco conclui luminosamente: “Não podemos renunciar à escuta das palavras que nos deixou o poeta Paul Celan: «Quem realmente aprende a ver aproxima-se do invisível»
"Volto à questão do Homem, que se torna cada vez mais actual com os avanços da Inteligência Artificial (IA), cujos benefícios serão cada vez mais inegáveis, concretamente nos domínios da saúde, mas que vai pôr dilemas éticos"
"Hoje, com as novas técnicas da tomografia de emissão de positrões e da ressonância magnética nuclear funcional, consegue-se visualizar imagens das regiões do cérebro que entram em acção aquando das diferentes operações mentais"
"Mediante as novas técnicas, percepcionamos a base neurobiológica do pensamento. Significa isso que temos desse modo acesso ao conteúdo do pensamento?"