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25º DTC: O AMOR É SEMPRE SURPREENDENTE... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Toda parábola é um relato provocativo, instigante, e envolvente... que projeta nossa consciência num horizonte maior. Toda parábola mantém sua atualidade através do tempo e das culturas.

O objetivo das parábolas é substituir uma maneira míope de ver o mundo por outra, aberta a uma nova realidade. Elas ativam o nosso olhar mais profundo e descobre possibilidades desconhecidas. Estranho: não dizer nada para quem não está disposto a mudar, e diz mais do que se pode dizer a quem está disposto a escutar. Quem escuta vive de outra maneira.

A parábola questiona nossa maneira de ser, e nos diz que outro mundo é possível.

As parábolas de Jesus estão sempre abertas às novas realidades dos ouvintes; verdade dialogada, onde o ouvinte deve interpretá-la com sua vida.

Em toda parábola existe um ponto de inflexão que rompe a lógica do relato. Nessa quebra se encontra a verdadeira mensagem. No evangelho de hoje, a ruptura se produz no final do relato.

Jesus, sabe que há uma lógica mais alta, a do poeta criador, da gratuidade e bondade que se expressam no gesto de pagar a mesma quantia aos trabalhadores chamados em diferentes horários do dia.

O contexto da atual perícope é a eterna controvérsia com as autoridades judaicas por Jesus andar com pessoas de duvidosa reputação (publicanos, pecadores, enfermos, crianças, pagãos, mulheres...). Todos impuros e excluídos do círculo de santidade.

Com a parábola do dono da vinha, Jesus não pretende dar uma lição de relações trabalhistas, mas fala da maneira de comportar-se de Deus para conosco. Ele desafia nossa mentalidade utilitarista.

O proprietário daquela vinha tinha uma estranha forma de organizar sua empresa agrícola; não parecia se importar muito com o dinheiro que investia na mão de obra. A relação entre diária e tempo trabalhado não se ajusta aos cânones empresariais do nosso mundo capitalista...

A partir da lógica humana, não há nenhuma razão para que o dono da vinha trate com essa deferência ao trabalhador de última hora. Uma relação de “toma lá e dá cá” com Deus não tem sentido. O trabalho na comunidade dos seguidores de Jesus deve ser totalmente desinteressado.

O sistema religioso daquele tempo se centrava no mérito e no pagamento. A salvação se havia convertido num mercado de compra e venda. Jesus questiona a fundo esta mentalidade. A salvação é dom gratuito de Deus. E a graça, que é sempre surpreendente, tem a ver com o amor misericordioso. Para Deus, tanto os primeiros como os últimos são objeto de seu imenso amor e misericórdia.

Deus é tão original e desconcertante que depois de vinte séculos ainda não o temos compreendido, e continuamos pensando que retribui a cada um segundo suas obras. Deus salva gratuitamente.

O caminho de cada pessoa é saber-se filho (a) de Deus. Uns tem o privilégio de compreendê-lo ao amanhecer da vida; outros, no meio da manhã dão-se conta de que estão sendo chamados; e outros ainda ao cair da tarde.... Ao anoitecer da vida, todos receberão o pagamento pela sua entrega, seu esforço e sua confiança em Deus.

O amor de Deus não se fraciona como o dinheiro. Ele é total e para sempre.

Lembro de uma pessoa que, ao ser abordada no carro por um menino de rua, deu-lhe R$ 100 reais. A reação espontânea do menino foi de espanto e de imensa alegria.

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