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29º DTC: DEUS ou CÉSAR?... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Jesus sempre foi desconcertante com seu modo de falar e de agir. Os fariseus mandaram seus discípulos fazerem uma pergunta maldosa a Jesus; eles não têm coragem de olhá-lo de frente, por isso mandam outros. Duas atitudes inautênticas: Os que mandam, e não tem coragem de se encontrar, e os que são “mandados”, sem personalidade própria...

Jesus é um mestre em desativar perguntas enganosas para enredá-lo nelas. Os fariseus revelam uma confusão de “poderes” ao dirigirem uma capciosa pergunta sobre a licitude ou não em pagar o imposto a César. Mas, Jesus não só desmascara a incoerência, senão que introduz uma afirmação carregada de consequências: “Devolvei a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus”.

A moeda, que representa o Imperador César, tem um valor relativo, mas o ser humano tem um valor absoluto, pois é imagem e semelhança de Deus. A moeda traz a “imagem” de Tibério, e o ser humano a de Deus. Jesus não põe Deus e César no mesmo nível, senão que toma partido por Deus.

César se impõe (imposto) pelo poder; Deus não se impõe (não é imposto); faz-se dom se aproxima de nós.

Normalmente utiliza-se a frase “devolvei a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” para justificar o poder. Se algo está claro no evangelho é que todo poder é nefasto porque massacra o ser humano. Em toda organização humana, quem está à frente, é para servir aos outros, não para dominá-los ou submetê-los.

A resposta de Jesus desativa por completo a absolutização do poder. Ninguém pode atribuir-se um poder absoluto. Só Deus é Deus.

Jesus não busca defender os interesses de Deus frente aos interesses de César, senão defender o ser humano de toda escravidão. E ele deixa muito claro que César não é Deus e Deus não é um César.

Não há nada mais contrário à mensagem de Jesus que o poder. Nenhum ser humano é mais que outro nem está acima do outro. “Não chameis a ninguém de pai, não chameis a ninguém chefe, não chameis a ninguém senhor, porque todos vós sois irmãos”. A única autoridade que Jesus admite é o serviço. Deus não compete com nenhum poder terreno, simplesmente porque Deus não atua a partir da categoria de poder. Jesus nunca defendeu o poder senão as pessoas.

Deus, ao criar, não se separa da criação. A Criação é o transbordamento do coração de Deus. Não há nada que não seja de Deus, porque nada há fora d’Ele. O ser humano é o grau máximo da presença de Deus na Criação. Somos criaturas de Deus, e só a Ele pertencemos.

Quando é “césar’ que determina nossa vida, sua influência envenena nossa relação com Deus, e rompe nossa comunhão com os outros.

O Deus Misericordioso não impulsiona ninguém a desejar poderes. Esta foi a principal fonte de conflitos de Jesus com os fariseus e sacerdotes que, em nome de Deus, exerciam o poder e a dominação sobre as pessoas.

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