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17º DTC: OLHOS ABERTOS ÀS SURPRESAS DE DEUS... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e a compra... (Mt 13, 46)

As parábolas do evangelho de hoje nos colocam diante de um fenômeno humano conhecido como serendipitia, serendipidade ou serendipismo: termos que expressam o sentimento de alegria quando encontramos alguma coisa surpreendentemente boa sem que, necessariamente, estejamos procurando por ela; referem-se às descobertas afortunadas feitas por acaso; trata-se de uma forma especial de criatividade, na qual saímos em busca de uma coisa e acabamos encontrando outras muito mais importantes e valiosas.

A ciência está repleta de casos famosos que podem ser classificados como serendipismo, mas estes só ocorreram porque as pessoas estavam “abertas” a estas descobertas, preparadas e com o senso de observação apurado. A descoberta ocasional dos manuscritos de Qumram, a fotografia, o raio x, a penicilina, a lei da gravidade, a descoberta de Colombo... tem em comum que não foram diretamente buscados, mas, por serem descobertas afortunadas e inesperadas, abriram novos horizontes e tornaram a vida mais bonita e mais agradável. O serendipismo é a pitada que falta no nosso espírito inovador e criativo, que é estar sempre aberto ao inesperado.

O conceito de “serendipidade” é aplicado em muitos setores da vida humana, inclusive no campo da espiritualidade. Serendipidade se refere às descobertas ou encontros afortunados feitos aparentemente por acaso, que muitas vezes possibilitam transformações radicais e positivas em nossas vidas.

Na vida espiritual, o estilo serendipitico ativa em nós o olhar atento, para dentro e para fora, fomenta o assombro e a admiração diante da nossa realidade cotidiana, nos mantém em atitude de abertura para o gratuito e nos faz abertos à Graça e à sua surpreendente novidade.

O verdadeiro segredo está em abrir-nos às oportunidades que a vida nos oferece; é viver a arte de uma apurada sensibilidade e atenção a tudo o que acontece ao nosso redor. Reconhecer, receber, viver e agradecer.

A vida é uma busca incessante por aquilo que consideramos essencial e as descobertas surpreendentes só acontecem quando nos deixamos mover por esse espírito de busca.

É nas entranhas do cotidiano que brotam as grandes intuições, as experiências místicas, a criatividade artística, os sonhos ousados...

A atitude contemplativa nos desperta da letargia do cotidiano que guarda segredos e novidades que sempre podem dar novo sentido à vida.

A vida espiritual está cheia de “momentos serendipiticos”, ou seja, encontros reveladores e inesperados com Aquele que se revela sempre de maneira surpreendente. Quem segue as intuições do coração pode entrar em sintonia com Aquele que “trabalha em tudo e em todos”.

Deus constantemente nos surpreende nas coisas simples da vida. Muitas vezes perdemos a capacidade de ver a sua ação nas pequenas coisas, e ficamos esperando grandes sinais. Viver cada momento ordinário de forma extraordinária.

O Evangelho também está cheio desses momentos gozosos: uma multidão faminta em busca por alimento e aparece um menino com apenas cinco pães e dois peixes; uma mulher samaritana em busca de água e encontra o criador da água viva; o baixinho Zaqueu que desejava apenas matar a curiosidade, é surpreendido por Jesus que deseja ser hóspede em sua casa...

O Papa Francisco convida-nos constantemente a deixar-se surpreender por Deus.Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, torna-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, e sempre nos reserva o melhor”.

Ao transitar, de maneira atenta e contemplativa pelos espaços interiores, seremos surpreendidos por descobertas que farão toda a diferença em nossas vidas.

Dentro de nós temos forças construtivas que podem mudar-nos eficazmente. Que eu me conheça e que eu te conheça, Senhor!

Sempre há algo diferente e inesperado que pode enriquecer-nos... A vida está cheia de surpresas: pessoas instigantes, desafios, encontros, aprendizagens, lições... que nos farão um pouco mais lúcidos e humanos.

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La experiencia espiritual auténtica no puede desvincularse del sufrimiento humano ni encerrarse en la búsqueda privada de serenidad interior.

No hay espiritualidad sin encuentro con el rostro del otro vulnerable