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15º DTC: Tempo de enraizar... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Temos perdido as raízes? Como conectar-nos com elas? Quê raízes nos alimentam? Onde estamos enraizados? Quais as raízes que nutrem atualmente nossa vida? São as melhores?

Fincar raízes, viver em profundidade. É preciso viver a partir das raízes.

Neste novo contexto em que vivemos, marcado pelo desenraizamento, promove-se mais viver em mundos virtuais do que no próprio chão existencial, e vivemos na superfície dos acontecimentos e dos relacionamentos.

Desenraizar-se é desumanizar-se. As palavras e gestos de Jesus romperam a ordem oficial do templo, a segurança dos sacerdotes, a razão dos escribas destacando o amor do Pai.

As parábolas parecem revelar a verdadeira identidade de Jesus. Por isso, é decisivo prestar atenção ao seu modo de falar, de semear.

A parábola do “semeador” é muito precisa. Austeramente, Jesus descreve o que acontece com a semente, partindo das experiências normais da agricultura de seu tempo, de maneira que todos os ouvintes podiam entendê-lo.

Pois bem, quando a Palavra é escutada ela nos desafia, pois ela fala de nós, do que somos e fazemos. Ela é pura transparência; chamado à nossa própria identidade e criatividade.

Toda parábola vem iluminar e inspirar nosso modo de seguir e de nos identificar com Jesus; não é uma simples adesão à pessoa de Jesus, mas um enraizamento na vida d’Ele, buscando ali a seiva que vai dar novo sentido à nossa existência.

Radicalidade (e não radicalismo) é a forma de seguir a Jesus. Radicalidade amável e expansiva, pois quem chega às raízes se enraíza na natureza humana de todos.

Sem raízes ninguém fica de pé. Quando o ser humano perde suas raízes, ele se atrofia e seca.

A vida cristã nos pede “ordenas os afetos” que marginalizam ou oprimem. Para dizer “sim” ao seguimento de Jesus e enraizar-nos em uma realidade consistente (sua palavra e vida) é preciso dizer “não” àquelas outras realidades que rompem a comunhão.

Quem não vive em profundidade fica nas ilusões e quimeras que envenenam a existência.

Amemos a terra na qual estamos semeados como Jesus amou o seu povo. Ter nossas raízes fincadas na história, na realidade do próprio Deus. Compartilhamos a mesma água e o mesmo húmus. Vida nova, que cresce a partir de dentro e a partir de baixo, a partir do oculto.

Algumas vezes o enraizamento supõe estar presente naquelas realidades das quais muitos fogem, e se afastam.

Quem vive em profundidade não tem medo dos contratempos.

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