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El caso Zornoza, ¿a juicio canónico?

Amores líquidos?

Vivemos um tempo de transição, onde padrões, códigos, regras que antes regiam se desconstruíram. Na modernidade líquida (cf. Bauman), onde nada é sólido ou permanente, a sociedade se enfraquece e cada um é o que pode ser.

Caminhamos e nos relacionamos na neblina, sem ter a certeza de nada! É a fragilização das relações sociais e afetivas. Tudo é frágil, individual e descartável. Não temos mais o hábito de consertar algo que se estragou; a gente troca acompanhando o ritmo alucinante dos acontecimentos; jogamos o objeto fora e o substituímos por outro novo. O importante não é o produto funcionar, mas o poder escolher, comprar e possuir um outro novo e atual.

Este modelo, onde tudo se tem, mas nada se retém, foi transferido para as relações afetivas. Com o auxílio das redes sociais e aplicativos, cada vez mais se escolhem as pessoas ‘pela capa’ ou sexo; e depois, se encontramos algo que nos desagrade, basta desconectar, bloquear, e trocar por um outro. Vivem-se diversas identidades em momentos diferentes. E assim, constantemente.

A nova forma de se relacionar na modernidade líquida é o descompromisso, aquele antigo ficar. Todos podem trocar seus parceiros por outros melhores. Vamos ver se nos entendemos, comentava um casal na minha frente, você é minha prioridade, mas não exclusiva. E eu não sou sua propriedade, meu amor... E como galinha choca, depois de 21 dias, vivia outro momento.

O amor escorre feito água; é instável e não dura por muito tempo. E encontrar alguém para fazer dos relacionamentos algo permanente, é um grande desafio. Os sentimentos mudam constantemente. Precisa ter muita coragem para caminhar pela neblina, e não se perder no mundo das miragens e das drogas...

A insegurança inspirada pela o modernidade líquida, estimula desejos conflitantes: estreitar os laços começados e ao mesmo tempo mantê-los soltos... Depressão, violência, síndrome do pânico, suicídios são algumas das consequências desta nova situação.

Como lidar com isso? Viver o presente. Aonde vou e a quê?... perguntava-se constantemente Inácio de Loyola. Exercite a atenção, para não se perder em novas `janelas´. Trabalhe sua autoestima, para não cair em relacionamentos negativos e conflituosos...

Se conseguir estar sempre atento (ao outro e a si mesmo), e consciente do momento presente, embora não tenhamos por enquanto parâmetros sólidos, pode ser que o amor líquido se transforme paulatinamente em algo mais consistente e significativo...

Continue a reflexão para não ser uma vítima dela...

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