Rota das Catedrais

A pujança volumétrica significava o valor do Transcendente, a monumentalidade testemunhava a força do religioso. A visibilidade do edifício, a tipologia das fachadas e das torres identificavam o destino específico da arquitectura.
Todos sabem como algumas das sés caíram num estado de conservação a exigir intervenção que salvaguarde estes sinais de memória colectiva e da identidade do tecido urbano. A integração e acessibilidades, a valorização e fruição do património móvel e dos espaços, a revitalização cultural, a elaboração de guias, requerem recursos financeiros que ultrapassam as possibilidades dos Cabidos e das Paróquias catedralícias e mesmo do IGESPAR e das Direcções Regionais de Cultura.
Estas entidades estiveram presentes na assinatura do protocolo, dia 30 de Junho, na Sé de Lisboa, pelo Ministro da Cultura e pelo Presidente da Conferência Episcopal. O trabalho de congregação de esforços, operado pelo Director do Secretariado do Bens Culturais da Igreja, da Comissão Episcopal da Cultura, correspondendo a uma ideia do Director do IGESPAR, irá prosseguir.
O nosso património, que tem nas sés o rosto mais visível, só terá possibilidade de ser salvaguardado se todos nós formos implicados na responsabilidade pela sua preservação. Incentivar novos modos de angariação de fundos e colocar esses lugares ao serviço da beleza que oferece encanto às cidades é desafio acolhido. Com muito trabalho alicerçado em fortes convicções poderá ser rompido algum marasmo alimentado por repetidos lamentos. A requalificação urbana é uma vertente criadora de emprego e com significado social relevante.
Como advertiu D. José Policarpo, que presidiu ao acto solene, só daqui a alguns anos veremos o peso operacional que este projecto da Rota das Catedrais desempenhou. Pelos sinais de entusiasmo dos responsáveis por várias sés, pois cada uma deverá estabelecer o seu programa e descobrir as suas soluções, um grande passo foi dado já.
D. Carlos Azevedo, Bispo auxiliar de Lisboa