Rota das Catedrais

Cresce a esperança para as igrejas catedrais ou sés, erradamente chamadas, por vezes, de sé catedral, porque junta duas palavras que significam a mesma coisa: cadeira, nas línguas latina e grega respectivamente. Foi assinado um protocolo entre o Ministério da Cultura e a Conferência Episcopal Portuguesa para estabelecer o mútuo compromisso no projecto intitulado Rota das Catedrais. É sabido como a catedral é, nas principais cidades, elemento emblemático e pólo do sistema urbanístico. O valor civil da catedral orientou o crescimento dos bairros e das ruas.

A pujança volumétrica significava o valor do Transcendente, a monumentalidade testemunhava a força do religioso. A visibilidade do edifício, a tipologia das fachadas e das torres identificavam o destino específico da arquitectura.

Todos sabem como algumas das sés caíram num estado de conservação a exigir intervenção que salvaguarde estes sinais de memória colectiva e da identidade do tecido urbano. A integração e acessibilidades, a valorização e fruição do património móvel e dos espaços, a revitalização cultural, a elaboração de guias, requerem recursos financeiros que ultrapassam as possibilidades dos Cabidos e das Paróquias catedralícias e mesmo do IGESPAR e das Direcções Regionais de Cultura.

Estas entidades estiveram presentes na assinatura do protocolo, dia 30 de Junho, na Sé de Lisboa, pelo Ministro da Cultura e pelo Presidente da Conferência Episcopal. O trabalho de congregação de esforços, operado pelo Director do Secretariado do Bens Culturais da Igreja, da Comissão Episcopal da Cultura, correspondendo a uma ideia do Director do IGESPAR, irá prosseguir.

O nosso património, que tem nas sés o rosto mais visível, só terá possibilidade de ser salvaguardado se todos nós formos implicados na responsabilidade pela sua preservação. Incentivar novos modos de angariação de fundos e colocar esses lugares ao serviço da beleza que oferece encanto às cidades é desafio acolhido. Com muito trabalho alicerçado em fortes convicções poderá ser rompido algum marasmo alimentado por repetidos lamentos. A requalificação urbana é uma vertente criadora de emprego e com significado social relevante.

Como advertiu D. José Policarpo, que presidiu ao acto solene, só daqui a alguns anos veremos o peso operacional que este projecto da Rota das Catedrais desempenhou. Pelos sinais de entusiasmo dos responsáveis por várias sés, pois cada uma deverá estabelecer o seu programa e descobrir as suas soluções, um grande passo foi dado já.

D. Carlos Azevedo, Bispo auxiliar de Lisboa
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